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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Um exemplo de vida


'A escolha de Adriano Moreira para o Prémio Manuel Antunes justifi ca-se pelo modelo de coerência que representou o professor nos seus 87 anos de vida. Sem virar a casaca, fosse qual fosse o ar dos tempos. Sem desdizer do que disse ou “despensar” o que pensou. Modelo de coerência de vida que atravessa dois regimes. Inteligência brilhante. Vitalidade invejável. Incansável construtor de pontes de respeito e tolerância para quem pensa diferente. Sem cedências. Formador de gerações. Espírito livre, aberto, inteligente e jovem nos seus invejáveis 87 anos. Adriano Moreira é, a vários títulos, alguém a quem a politica tem a agradecer o tê-la tornado, aos olhos de todos, o que ela efectivamente deve ser: útil, responsável e desinteressado serviço à Comunidade. Ninguém mais do que ele merece juntar-se à galeria dos distinguidos com o prémio cultura “Manuel Antunes” com que a Igreja Católica visa destacar anualmente um percurso e uma obra onde os valores do Humanismo e da experiência Cristã se achem reflectidos. Quem já teve o privilégio de o conhecer sabe até que ponto ele é, não apenas uma personalidade inimitável, como, ainda ontem dizia dele inspiradamente João Lobo Antunes (antes ainda de conhecida a atribuição do prémio…): “alguém que, pelo bom cuidado de si, e pelo exercício constante de uma inteligência luminosa, ilustra a glória do triunfo sobre o tempo, alguém cujo tempo de vida tem sido aplicado na multiplicação dos talentos, e cuja imensa sabedoria tem servido a sua pátria e múltiplas gerações de portugueses”. Parabéns professor!'

[Graça Franco em Página1 Rádio Renascença 22 de Abril]

Já ouvi este senhor falar e é realmente fantástico!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

e porque ontem foi carnaval

Corar de vergonha
Para os católicos de todo o mundo, começa hoje a Quaresma. Um tempo especial de preparação para a Páscoa. A grande festa do Cristianismo. Para estes mais de mil e cem milhões, esta Quartafeira fi cará marcada pela prática do jejum. Mas, se para a maior parte dos cerca de 280 milhões que habita na Europa, um dia de privação voluntária de alimentos será, sobretudo, razão para dar graças pela sua abundância, nos restantes dias do ano, para a quase totalidade dos 150 milhões que habita em África, o mais provável é que este seja apenas um dia com a mesma fome de outro qualquer… Apesar de trinta anos de progressos - segundo o Banco Mundial - há ainda hoje mais de mil e 400 milhões de pobres que vivem com pouco mais de um dólar por dia.
Um estudo da ONU revelou-nos, esta semana, um dado ainda mais chocante: metade da comida que actualmente se produz no mundo é desperdiçada.
Não fosse assim e não só chegaria para alimentar a totalidade da população mundial como aquela que se prevê venha a existir em 2050. Para isso, bastava que se aumentasse a efi ciência na cadeia alimentar e se combatesse o desperdício. Um terço do leite produzido nunca é bebido. Um
quarto da produção americana de frutos e vegetais apodrece na distribuição. Metade do lixo dos aterros australianos é constituída por restos alimentares. Um terço dos alimentos comprados na Grã- Bretanha nunca é ingerido. Em tempos de crise, um mundo assim devia fazernos corar de vergonha.
[Graça Franco no diário Página 1 de 25 de Fevereiro,
Jornal do Grupo Renascença]

sexta-feira, 16 de maio de 2008

andy warhol feet

(©silvia.magalhaes)

aquelas notas perdidas

encaixadas na batida

naquela batida

que fecha os olhos

e abre o sorriso

e os pés que dançam

de todas as cores

dançam no ar

flutuam e vagueiam

por esse mundo fora

sem rumo

mas com norte definido

[lis de lua]


sexta-feira, 18 de abril de 2008

ainda gil

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar

É sempre bom lembrar
Que o ar sombrio de um rosto
Está cheio de um ar vazio
Vazio daquilo que no ar do copo
Ocupa um lugar

É sempre bom lembrar
Guardar de cor
Que o ar vazio de um rosto sombrio
Está cheio de dor

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar

Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho
Que o vinho busca ocupar o lugar da dor
Que a dor ocupa a metade da verdade
A verdadeira natureza interior
Uma metade cheia, uma metade vazia
Uma metade tristeza, uma metade alegria
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar

[gilberto gil]

domingo, 16 de março de 2008

sem título

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

[sophia de mello breyner andresen]

domingo, 9 de março de 2008

#2 gosto (do vinicius)


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[extático da aurora.
[vinicius de moraes]

sábado, 16 de fevereiro de 2008

get free!





'Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor o seu eu verdadeiro.
Expor suas ideias e sonhos em público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer.
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas... é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver...
Acorrentadas às suas atitudes, são escravas, abrem mão da sua liberdade.
Só a pessoa que arrisca é livre...
Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida...'


[soren kiekegaard]

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

ROTINA

(©aps )


Ao abrir a janela do quarto para outras janelas de outros quartos,


ao veres a rua que desemboca noutras ruas,


e as pessoas que se cruzam, no início da manhã,


sem pensarem com quem se cruzam em cada início da manhã,


talvez te apeteça voltar para dentro, onde ninguém te espera.


Mas o dia nasceu - um outro dia,


e a contagem do tempo começou a partir do momento em que abriste a janela,


e em que todas as janelas da rua se abriram, como a tua.


Então, resta-te saber com quem te irás cruzar, esta manhã:


se o rosto que vais fixar, por uns instantes, retribuirá o teu gesto;


ou se alguém, no primeiro café que tomares,


te devolverá a mesma inquietação que saboreias,


enquanto esperas que o líquido arrefeça.


[nuno júdice]


domingo, 18 de novembro de 2007

1,2 respira.. e regressa à corda bamba!

...depois de reler o post anterior, percebi duas coisas:
a) ando demasiado sensível estes dias, nahhh, não pode ser..passou!!mas isso não interessa nada aos eventuais leitores deste blog que não vai mais além disso mesmo ..um mero blog (espécie de caixa de música que pomos a tocar de vez em quando).
b) depois, que parece que ainda estou muito agarrada à minha recente fatia de vida tropical...(bela metáfora!) Que ainda não aterrei verdadeiramente neste continente ... hummm... pode ser...
Gosto daqui, mas gosto também de pensar que tenho sempre o "lá" como um sonho bem real e ao qual posso voltar sempre...neste caso, como escape quando as coisas não correm tão bem do lado de cá.

Pronto, vou mudar de assunto!!

Aqui fica novamente uma célebre poesia da dupla Vinicius&Toquinho (ups! Brasil de novo...) que eu adoro de paixão e que me deixa sempre com um sorriso no rosto..

São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer


Boa semana !

domingo, 21 de outubro de 2007

'Quase'

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
ֹ o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem
quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia a dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


Sarah Westphal Batista da Silva

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A Origem...


Originalmente produzidos por um pequeno papeleiro francês que abastecia as papelarias parisienses frequentadas por uma elite cosmopolita e vanguardista, o Moleskine deixou de ser produzido em finais do século XX. Em 1986, em vésperas de partir para a Austrália e quando se dirigiu à papelaria na Rue de l'Anciènne Comédie para se abastecer dos seus cadernos de apontamentos, como sempre fazia, o escritor Bruce Chatwin ficou estarrecido quando soube que “le vrai moleskine n'est plus” ( já não existe o moleskine autêntico).Em 1998 um grupo de artistas italianos, proprietários de uma empresa de distribuição de artigos de escritório, a Modo & Modo, registou a marca dos “carnets moleskines” usados por Chatwin e lançou-se no mercado. Ao que tudo indica, terá sido este escritor o autor da designação que, traduzida à letra, significa “pele de toupeira”.


Este foi o usado por Van Goh entre 1888 e 1890 *









(coloca-se a questão...onde andará o meu daqui a 100 anos?...sim pois, com sorte foi reciclado!!)